De acordo com o documento da campanha Flávio Bolsonaro, a justificativa para a mudança seria aproximar a pesquisa acadêmica da indústria e do mercado produtivo
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| Faixa "UNIVERSIDADE NO MEC NENHUM CENTAVO À MENOS PARA A EDUCAÇÃO" no Hall de entrada do Campus da UFC em Russas. (créditos: José Nogueira) |
Universitários e membros da comunidade acadêmica da Universidade Federal do Ceará (UFC), campus de Russas, manifestaram repúdio à proposta do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) de retirar a governança das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) e transferi-la para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A medida, defendida no plano de governo do candidato e endossada por aliados como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), André Fernandes (PL-CE) e o deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP), é vista pela comunidade local como uma ameaça à estabilidade financeira e à autonomia das instituições.
No entanto, a comunidade acadêmica de Russas aponta que a proposta ignora as diferenças orçamentárias entre as duas pastas.
Enquanto o MEC opera com um orçamento na casa dos R$ 200 bilhões, com proteções constitucionais para a educação, o MCTI dispõe de uma fração desse valor, estimada em pouco mais de R$ 15 bilhões.
Para os universitários do campus no Vale do Jaguaribe, a mudança colocaria em risco a continuidade de políticas de permanência e assistência estudantil, além de projetos de extensão que beneficiam diretamente a população local.
O campus de Russas foi fruto de mobilização histórica da comunidade e de lideranças locais, que viram na universidade pública a via de ascensão e desenvolvimento tecnológico para a região.
A proposta também é criticada por entidades representativas dos reitores das universidades federais.
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) alerta que a transferência pode resultar na perda da garantia orçamentária constitucional, abrindo caminho para cortes severos.
Além disso, a medida fragmentaria o sistema educacional, dificultando a articulação entre o ensino superior e a educação básica, especialmente na formação de professores.
A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, prevista no artigo 207 da Constituição Federal, também é apontada como um princípio ameaçado.
Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que direcionar as universidades prioritariamente para a inovação voltada ao mercado pode enfraquecer o ensino de graduação e as licenciaturas.
Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro não detalhou como seria feita a transição administrativa nem se os recursos atualmente destinados às instituições federais seriam mantidos e realocados para o MCTI.
Os universitários e comunidade acadêmica da UFC em Russas afirmaram que seguiram atentos e mobilizados contra o que classificam como retrocesso.
"A luta pela educação pública não é apenas por um prédio ou um diploma, mas pela garantia de que qualquer estudante, especialmente os de regiões interioranas como a nossa, possa sonhar com um futuro que não dependa da benevolência de um ministério sem recursos", declararam os discentes.
