Preço do mel de abelha dispara no Vale do Jaguaribe com escassez neste verão

Apicultores relatam perda de 80% das colmeias após verão prolongado e pequenos produtores já não têm mel para venda

pote de Mel puro de 500g
Criadores com estoques reduzidos devido escassez de Mel na região. (créditos: Adelino Sousa)

O preço do mel de abelha puro aumentou significativamente no Vale do Jaguaribe neste verão.

A escassez do produto, causada pela estiagem prolongada, tem pressionado os valores na venda direta ao consumidor e nos pontos de comercialização da região.

Segundo o criador Adelino Sousa, o problema começou no verão passado, quando as altas temperaturas e a estação prolongada afetaram as colmeias.

"Em torno de 80% dos criadores perderam", relata.

Neste ano, apenas 20% das abelhas retornaram e, por serem novatas, não produziram mel a tempo.

"Apenas os grandes produtores têm mel devido às abelhas que sobraram. Os produtores pequenos nenhum tem mel", afirma.


exportação de mel do Ceará

As exportações de mel do Ceará caíram cerca de 80% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Municípios como Russas, Limoeiro do Norte, Palhano e Itaiçaba já relatam dificuldades de escoamento e queda na geração de empregos sazonais.

No Vale do Jaguaribe, a apicultura é uma das principais cadeias produtivas da região.

Com menos produto disponível, o quilo do mel puro produzido em Russas já é encontrado a R$ 40 na região.

O valor reflete a oferta escassa e os custos mais altos de produção.

Como o verão é período de maior demanda, os apicultores enfrentam o desafio de honrar contratos e preservar as colmeias para a próxima safra.

O depoimento de Adelino evidencia um problema estrutural: a concentração da produção nas mãos dos grandes criadores.

 

Programa Antônio Saraiva Landim

Enquanto os de maior porte mantêm alguma atividade, os pequenos apicultores ficaram sem produção neste ciclo, com prejuízo imediato e possível extensão por mais de uma safra.

Tramita na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) o projeto que institui a Política Estadual de Salvaguarda e Auxílio Emergencial à Apicultura e Meliponicultura (PESAM).

A proposta prevê atender até 10.000 apicultores familiares e pequenos produtores, com meta de preservar no mínimo 90% do plantel de colmeias durante os meses críticos de seca.
 
Na Alece, o projeto recebeu o título de Programa Antônio Saraiva Landim.
 
A expectativa é de normalização com o próximo ciclo de chuvas, previsto para o início de 2027.


Até lá, o consumidor deve continuar sentindo o efeito da escassez.

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