O ex-governador Ciro Gomes recusa convite do PSDB para Presidência e confirma pré-candidatura ao governo do Ceará
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| Ciro Gomes afirma que não pode desertar do Ceará após convite para se candidatar à Presidência da República | Foto: André Costa |
Em meio a especulações sobre um possível retorno ao cenário nacional, o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) colocou um ponto final na discussão.
Durante solenidade realizada na noite de quarta-feira (15) na sede do União Brasil em Fortaleza, o tucano revelou ter recebido um convite direto do presidente nacional do PSDB, o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), para ser candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
A resposta, segundo Ciro, foi imediata e enfática: “Não posso desertar do Ceará”.
O evento, que marcou a posse do ex-prefeito Roberto Cláudio na presidência municipal do União Brasil, reuniu lideranças políticas locais e serviu de palco para o anúncio.
Ao lado de Roberto Cláudio e Capitão Wagner, Ciro Gomes explicou os bastidores do convite nacional. De acordo com o ex-governador, a sondagem partiu de Aécio Neves há algumas semanas, em conversa que reconhecia a capilaridade e o nome do cearense como ativo relevante para a legenda em âmbito federal.
“Respondi com franqueza: não posso desertar do Ceará. Tenho compromisso com este estado, com as lutas que abracei e com o povo que me deu a honra de me eleger governador. Mas, como democrata, disse que consultaria meu grupo político aqui no Ceará”, declarou Ciro durante discurso.
Pois bem, a consulta foi feita. E a resposta do grupo, segundo ele, foi unânime: “Ciro governador”.
Com a definição, o ex-governador alinha-se novamente como pré-candidato ao Palácio da Abolição, retomando o projeto estadual que já o levou ao cargo entre 1991 e 1994.
A decisão representa uma guinada estratégica diante do cenário nacional, onde o PSDB busca reconstruir sua identidade após resultados modestos nas últimas eleições presidenciais.
Aécio Neves, que conduz a sigla em meio a articulações para formar federações e alianças, via em Ciro um nome capaz de agregar votos no Nordeste, região historicamente desafiadora para o partido.
O movimento também fortalece Roberto Cláudio, aliado de primeira hora e agora presidente municipal do União Brasil. A legenda, comandada nacionalmente por Antonio Rueda, deve compor com o PSDB em diversas frentes no Ceará, ampliando a base de sustentação de Ciro.
Durante a posse, Roberto Cláudio celebrou a decisão: “Ciro é a liderança mais preparada para governar o Ceará novamente. Temos um projeto de desenvolvimento que une forças, e o União Brasil estará ao lado dele”.
Com a negativa ao Planalto, Ciro Gomes mira as eleições estaduais deste ano, onde deve enfrentar nomes como o atual governador Elmano de Freitas (PT) e outros possíveis adversários.
A resposta unânime do grupo cearense, segundo aliados, reflete não apenas lealdade regional, mas a percepção de que o ex-governador ainda tem papel decisivo na política local e que desertar do Ceará, neste momento, seria um custo político elevado tanto para ele quanto para a legenda.
O episódio, contudo, não fecha completamente as portas para o futuro. Em política, como costuma dizer Ciro Gomes, “um não de hoje pode ser um sim de amanhã”.
Mas por ora, o tom é definitivo: o PSDB terá de buscar outro nome para a disputa presidencial. No Ceará, a campanha pelo governo já começou.
