Interior cearense já tem gasolina a R$ 6,70

Procons do Ceará e Pernambuco agem contra alta abusiva de combustíveis

 

Posto de combustíveis na Grande Recife em Pernambuco
Preço da gasolina em posto de combustíveis na Grande Recife em Pernambuco antes da Guerra do Irã contra Israel e Estados Unidos  | Foto: Antônio Marcos

Enquanto os órgãos de defesa do consumidor do Ceará e de Pernambuco intensificam a fiscalização contra aumentos injustificados nos combustíveis, consumidores do interior cearense já enfrentam preços elevados nas bombas.

No Vale do Jaguaribe, a gasolina chega a ser comercializada a R$ 6,70 por litro, valor superior à média praticada na capital.

O Procon Fortaleza notificou nessa quarta-feira (11) o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos) para que oriente os postos a não reajustarem preços com base em especulações sobre o mercado internacional.

Segundo o órgão, não houve anúncio de reajuste pela Petrobras nas refinarias, o que torna os aumentos injustificáveis.

Em Pernambuco, a situação é ainda mais crítica. Antes do início do conflito no Oriente Médio, uma foto registrada em posto no centro do Recife mostrava a gasolina a R$ 6,57.

Dias depois, o combustível ultrapassou a barreira dos R$ 7 na capital pernambucana, chegando a R$ 7,50 em alguns estabelecimentos.

Diante da disparada, o Procon Recife autuou 12 postos nas Zonas Norte e Sul da cidade entre quarta e essa quinta-feira (12) por aumento injustificado de preços.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro Ramos, explicou que a região Nordeste é particularmente vulnerável às oscilações internacionais:

cerca de 60% a 65% do combustível consumido na região vêm de importadoras ou de refinarias privadas que seguem o preço internacional, como a Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe, na Bahia.

"O posto não define preço internacional; ele apenas repassa o custo de reposição. Se não repassar, queima estoque, capital de giro e quebra", afirmou.

Diferentemente da Petrobras, que abandonou a Paridade de Preço Internacional (PPI) há cerca de três anos e adotou reajustes mais graduais, a Acelen mantém política atrelada ao mercado externo.

Na Bahia, a gasolina saltou da média de R$ 5,50 para mais de R$ 7 em uma semana, após quatro reajustes promovidos pela empresa.


Enquanto Fortaleza notifica o sindicato e monitora preços, o interior cearense já sente o impacto.

Além do Vale do Jaguaribe, consumidores de regiões como Cariri e Sertão Central relatam variações significativas nos valores praticados, acendendo alerta para possíveis abusos também fora da capital.

O Procon Fortaleza informou que continuará monitorando os preços na capital, mas não há, por enquanto, fiscalização específica nas regiões do interior.

Já a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a abertura de investigação para apurar possíveis práticas que prejudiquem a livre concorrência no mercado de combustíveis em estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.

Em Pernambuco, a vereadora do Recife Liana Cirne (PT) protocolou representação no Ministério Público estadual pedindo investigação sobre os valores praticados.

A Petrobras, por sua vez, reafirmou em nota que não houve reajuste recente pela empresa e que o último foi uma redução realizada em janeiro.

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